A ascensão da classe trabalhadora e o futuro da revolução chinesa, Minq Li (Monthly Review)

21/11/2011 19:07

Passa Palavra - [Minq Li, Monthly Review] Os trabalhadores do setor estatal, com a ajuda de intelectuais revolucionários socialistas, podem emergir como liderança de toda a classe trabalhadora chinesa e dar aos futuros movimentos uma clara orientação revolucionária socialista.


Em julho de 2009, trabalhadores da empresa estatal Siderurgia Tonghua, em Jilin, organizaram uma manifestação de massas contra a privatização. Mais tarde, no verão de 2010, uma vaga de greves percorreu as províncias costeiras da China. Pode ser que estes acontecimentos sejam um ponto de inflexão histórico. Após décadas de derrotas, humilhação e silêncio, a classe trabalhadora chinesa está reemergindo como uma nova força social e política.

Como irá a ascensão da classe trabalhadora chinesa definir o futuro da China e do mundo? Conseguirá a classe capitalista chinesa pacificar os desafios da classe trabalhadora ao mesmo tempo que mantém o sistema capitalista? Ou irá a ascensão da classe trabalhadora chinesa levar a uma nova revolução socialista na China que possa, por sua vez, abrir caminho a uma revolução socialista global? A resposta a essas questões irá, em grande medida, determinar o curso da história mundial no século XXI.

A derrota da classe trabalhadora e o triunfo do capitalismo na China

A revolução chinesa de 1949 baseou-se em uma ampla mobilização da esmagadora maioria da população chinesa contra a exploração pelos senhores feudais do país, pelos capitalistas e pelos imperialistas estrangeiros. Apesar de todas suas limitações históricas, a China no período maoísta merece ser classificada como “socialista”, no sentido de que as relações internas de classe na China eram muito mais favoráveis para as classes trabalhadoras proletárias e não-proletárias do que aquelas tipicamente prevalecentes em um Estado capitalista, especialmente no contexto de periferia e semiperiferia. [1]

Apesar das conquistas históricas obtidas com o maoísmo, a China continuou fazendo parte do sistema mundial capitalista e era forçada a operar sob as leis básicas de desenvolvimento do sistema. O excedente econômico era concentrado nas mãos do Estado, que promovia a acumulação do capital e a industrialização. Por sua vez, isso criou as condições materiais favoráveis às novas elites burocrático-tecnocráticas, que exigiam cada vez mais privilégios materiais e poder político. As novas elites encontraram seus representantes políticos no interior do Partido Comunista e se tornaram os “seguidores da via capitalista que detêm autoridade no Partido” (uma frase comum na China).

Mao Tsé-tung e seus camaradas revolucionários tentaram reverter esta tendência para a restauração do capitalismo, apelando diretamente e mobilizando as massas de operários, camponeses e estudantes. Sem experiencia política e pouco esclarecidos, os operários e os camponeses não estavam ainda prontos para exercer diretamente o poder econômico e político. Após a morte de Mao em 1976, os seguidores da via capitalista, liderados por Deng Xiaoping, procederam a um golpe contrarrevolucionário e prenderam os líderes maoístas radicais. Em poucos anos, Deng Xiaoping consolidou seu poder político e a China entrou no caminho para a transição capitalista.

A chamada reforma econômica começou nos campos. As comunas populares foram desmanteladas e a agricultura foi privatizada. Nos anos seguintes, centenas de milhões de camponeses se tornaram trabalhadores “excedentes”, prontos para ser explorados por empresas capitalistas nacionais e estrangeiras.

Nos anos 1990 procedeu-se à privatização massiva. Praticamente todas as pequenas e médias empresas estatais e algumas grandes empresas estatais foram privatizadas. Quase todas elas foram vendidas a preços artificialmente baixos ou simplesmente “dadas”. Entre os beneficiados se incluem funcionários do governo, antigos administradores de empresas estatais, capitalistas privados com boas relações no governo e companhias transnacionais. Na realidade, efetuou-se uma “acumulação primitiva” massiva e formou-se uma nova classe capitalista, baseada no furto massivo de patrimônios estatais ou coletivos. Enquanto isso, dezenas de milhões de trabalhadores dos setores estatal e coletivo foram demitidos e deixados na penúria.

A legitimidade dessa nova classe capitalista foi reconhecida pela liderança do Partido Comunista. No 16º Congresso do Partido (em 2002), o Estatuto do Partido foi revisado. Sob o antigo Estatuto, o Partido Comunista considerava-se como a vanguarda da classe trabalhadora, representando os interesses do proletariado. Sob o novo Estatuto, o Partido Comunista declara-se representante dos interesses tanto das “mais amplas massas populares” quanto das “forças produtivas mais avançadas”. O termo “forças produtivas mais avançadas” é geralmente considerado como um eufemismo para designar a nova classe capitalista.

A ascensão da classe trabalhadora chinesa

Os empregos não agrícolas, enquanto parcela do emprego total, cresceram de 31% em 1980 para 50% em 2000 e cresceram depois ainda mais, chegando a 60% em 2008. [2] De acordo com um relatório elaborado em 2002 pela Academia Chinesa de Ciências Sociais, cerca de 80% da força de trabalho não agrícola era formada por trabalhadores assalariados proletarizados, como trabalhadores industriais, trabalhadores dos serviços, trabalhadores dos escritório, além dos desempregados. [3] Sendo a esmagadora maioria dos trabalhadores não agrícolas constituída por assalariados, que têm de vender a força de trabalho para ganhar a vida, o rápido crescimento do emprego não agrícola revela uma formação massiva da classe trabalhadora proletarizada chinesa.

A rápida acumulação de capital na China teve como base uma implacável exploração de centenas de milhões de trabalhadores chineses. De 1990 até 2005, a parcela do PIB referente à renda do trabalho caiu de 50% para 37%. O salário médio dos trabalhadores chineses corresponde a cerca de 5% do dos E.U.A., 6% da Coreia do Sul e 40% do mexicano. [4]

Desde o início da década de 1980, cerca de 150 milhões de trabalhadores migraram das áreas rurais para as urbanas em busca de emprego. A indústria de exportação chinesa baseia-se em grande parte na exploração destes trabalhadores migrantes. Um estudo das condições de trabalho no Delta do Rio das Pérolas (área que inclui Guangzhou, Shenzhen e Hong Kong) descobriu que cerca de dois terços dos trabalhadores trabalham mais de oito horas por dia e nunca descansam nos finais de semana. Alguns trabalhadores têm de trabalhar sem interrupção durante dezesseis horas. Os administradores capitalistas usam corriqueiramente o castigo corporal como forma de disciplinar os trabalhadores. Cerca de duzentos milhões de trabalhadores chineses trabalham em condições perigosas para a saúde. Na China registam-se anualmente cerca de setecentas mil ocorrências de acidentes de trabalho graves, provocando mais de cem mil mortos. [5]

No Manifesto Comunista Marx e Engels sustentaram que a luta da classe trabalhadora contra o capitalismo percorrera várias fases de desenvolvimento. No primeira, a luta foi levada a cabo por trabalhadores individuais contra os capitalistas que os exploravam diretamente. Com o desenvolvimento da indústria capitalista, o número de proletários aumentou e foram concentrados em grandes massas. A força dos trabalhadores cresceu e começaram a formar associações para combater coletivamente os capitalistas. A mesma lei de desenvolvimento está se verificando na China de hoje. À medida que cada vez mais trabalhadores migrantes se estabelecem nas cidades e se consideram assalariados ao invés de camponeses, está emergindo uma nova geração de trabalhadores proletarizados com uma crescente consciência de classe. Tanto os documentos governamentais oficiais como a grande mídia reconhecem agora a ascensão da “segunda geração de trabalhadores migrantes”.

Segundo a grande mídia chinesa, existem atualmente cerca de cem milhões de trabalhadores da segunda geração de migrantes, nascidos após 1980. Eles foram para as cidades logo após completarem o ensino superior ou o ensino médio. A maior parte destas pessoas não possui experiência na produção agrária. Identificam-se mais com as cidades do que com o campo. Comparada com a “primeira geração”, a segunda geração de trabalhadores migrantes tende a possuir uma educação melhor e maiores expectativas de emprego. Eles exigem melhores condições de vida material e cultural e estão menos dispostos a tolerar condições precárias de trabalho. [6]

Durante o verão de 2010 dezenas de greves atingiram as indústrias automobilísticas, eletrônicas e têxteis chinesas, forçando os capitalistas a aceitarem aumentos salariais. A corrente dominante entre os acadêmicos chineses mostra-se preocupada com a possibilidade da China entrar em um novo período de greves intensas, que levará ao fim da era do trabalho barato na China e ameaçará a estabilidade social. [7]211111_china

O próprio desenvolvimento do capitalismo prepara as condições objetivas que favorecem o crescimento das organizações da classe trabalhadora. Após muitos anos de acumulação rápida, começa a se esgotar o maciço exército de reserva de mão-de-obra barata nas áreas rurais da China. Calcula-se que a população total em idade de trabalhar (entre quinze e sessenta e quatro anos de idade) atinja seu pico em 2012, com cerca de 970 milhões, e comece então a declinar gradualmente para cerca de 940 milhões em 2020. E calcula-se que a mais importante faixa etária da força de trabalho (entre dezenove e vinte e dois anos), onde é recrutado o maior número de trabalhadores industriais baratos e não qualificados, decline drasticamente de cerca de cem milhões em 2009 para cerca de cinquenta milhões em 2020. Certamente que este declínio rápido irá favorecer o poder de negociação dos trabalhadores jovens, encorajando-os a desenvolver organizações trabalhistas mais permanentes.

Tanto no Brasil quanto na Coreia do Sul dos anos de 1970 a 1980, quando a parcela de trabalhadores não agrícolas (enquanto estimativa aproximada do grau de proletarização) ultrapassou os 70% o movimento da classe trabalhadora surgiu como uma poderosa força política e social. Algo de semelhante está ocorrendo atualmente no Egito. [8]

Na China a parcela ocupada pelo emprego não agrícola é agora de cerca de 60%. Se persistir a tendência verificada entre 1980 e 2008, com a parcela de empregos não agrícolas aumentando cerca de 1% ao ano, então o emprego não agrícola na China irá passar o limiar crítico de 70% aproximadamente em 2020.

Dado que a classe trabalhadora chinesa está se preparando para emergir como uma poderosa força política e social dentro de uma ou duas décadas, a questão é: que rumo político irá tomar o movimento dos trabalhadores chineses? A atual política oficial do governo chinês é a de construir uma pretensa sociedade harmoniosa com compromissos entre diferentes classes sociais. Facções da elite dominante chinesa reivindicam uma “reforma política” que dilua e desvie os desafios da classe trabalhadora mediante a introdução de uma democracia burguesa de estilo ocidental. [9]

Conseguirá a classe capitalista chinesa acomodar o desafio da classe trabalhadora e ao mesmo tempo manter a ordem econômica e social básica do sistema capitalista? Ou irá o movimento do trabalhador chinês realizar uma ruptura histórica mundial, tomando o caminho do socialismo revolucionário e rompendo com os fundamentos do sistema social existente? A resposta a estas questões depende tanto das condições históricas objetivas quanto das subjetivas.

O legado socialista: a classe trabalhadora do setor estatal

Na época do socialismo maoísta, os trabalhadores chineses atingiram um nível de poder de classe e de dignidade inimaginável para um trabalhador médio de um Estado capitalista (especialmente para os do contexto de periferia e semiperiferia). No entanto, a classe trabalhadora chinesa era jovem e sem experiência política. Após a morte de Mao, a classe trabalhadora foi deixada sem liderança política e sofreu uma derrota catastrófica durante a privatização massiva da década de 1990.

A partir de então, muitos dos antigos trabalhadores do setor estatal (conhecidos na China como “velhos trabalhadores”) têm encetado lutas coletivas contra a privatização e as demissões massivas. Suas lutas têm tido impacto não somente entre os trabalhadores demitidos, mas também entre os que atualmente trabalham em estatais. Isso tem contribuído para o crescimento da consciência de classe juntamente com um grau substancial de consciência socialista num setor específico da classe trabalhadora proletarizada da China – o proletariado do setor estatal.

Nas palavras de um proeminente trabalhador ativista chinês, comparada com a classe trabalhadora de outros Estados capitalistas, a classe trabalhadora chinesa (do setor estatal) desenvolveu uma “consciência de classe relativamente completa”, baseada na sua experiência histórica única de ambos períodos, socialista e capitalista. [10]

Devido a essa experiência histórica, frequentemente as lutas dos trabalhadores do setor estatal chinês não se limitam a reivindicações econômicas imediatas. Muitos trabalhadores ativistas entendem que sua presente condição não resulta apenas da exploração por capitalistas individuais, mas também, em um nível mais fundamental, da derrota histórica da classe trabalhadora em uma grande guerra de classes que levou ao triunfo (temporário) do capitalismo sobre o socialismo.

Um líder dos trabalhadores demitidos observou que sob o socialismo “os trabalhadores eram os senhores da fábrica, os trabalhadores eram irmãos e irmãs em uma mesma classe e demissões massivas teriam sido impossíveis; mas, após a privatização, os trabalhadores foram reduzidos a ‘assalariados’, já não são eles os senhores e é esta a verdadeira razão das demissões.” Segundo este líder, as lutas dos trabalhadores não se devem limitar a casos individuais nem se dar por satisfeitas com a obtenção de reivindicações particulares. O “interesse fundamental” dos trabalhadores reside na restauração da “propriedade pública dos meios de produção.” [11]

Muitos dos atuais trabalhadores agora empregados no setor estatal são filhos dos “velhos trabalhadores”; ou adquiriram experiência trabalhando junto com eles; ou vivem nos mesmos bairros operários. Portanto, os atuais trabalhadores empregados no setor estatal foram influenciados pelas lutas dos mais velhos e por suas experiências políticas. Isto foi ilustrado pelos trabalhadores da Siderurgia Tonghua na sua luta contra a privatização em 2009.

A Siderurgia Tonghua era uma fábrica de aço estatal, situada em Tonghua, na província de Jilin (região nordeste da China). Em 2005 a Siderurgia Tonghua foi privatizada. Os ativos pertencentes ao Estado, que chegaram a ser avaliados em 10 bilhões [milhares de milhões] de yuans, foram avaliados em apenas 2 bilhões de yuans. A Jianlong, uma poderosa companhia privada que possui boas relações com altos funcionários de Pequim, na realidade pagou só 800 milhões de yuans e ficou com a companhia. Depois desta aquisição, 24 mil dos 36 mil trabalhadores foram demitidos. Os salários dos trabalhadores com insalubridade (com altos índices de acidentes de trabalho) foram reduzidos em dois terços. Os administradores passaram a impor aos trabalhadores várias penalidades arbitrárias e punições.

Em 2007 os trabalhadores da Siderurgia Tonghua começaram os protestos. Durante esses protestos, um trabalhador da era maoísta, “Mestre Wu”, afirmou-se como líder. Wu deixou claro para os trabalhadores que a verdadeira questão não era acerca de nenhum problema particular, mas sim “a linha política de privatizações”.

Em julho de 2009 os trabalhadores realizaram uma greve geral. Quando o administrador geral de Jianlong ameaçou demitir todos, os trabalhadores furiosos espancaram-no até à morte. Embora o governador da província e milhares de policiais armados estivessem presentes, ninguém ousou intervir. Após o linchamento, a província de Jilin foi forçada a cancelar o plano de privatização.

A vitória na Siderurgia Tonghua foi uma grande inspiração para os trabalhadores de muitos lugares da China. Os trabalhadores de várias outras siderurgias protestaram também e forçaram os governos locais a cancelar os planos de privatização. Trabalhadores ativistas de outras províncias consideraram a vitória em Tonghua como a sua própria e lamentaram que “muito poucos capitalistas tenham sido mortos”. [12]

Após anos de privatização massiva, a parcela do setor estatal no valor da produção industrial chinesa ficou reduzida a menos de 30%. Apesar disso, o setor estatal continua a dominar vários setores chave da indústria. Em 2008 as empresas estatais e detidas pelo Estado representavam 59% do valor da produção na extração e limpeza de carvão, 96% na extração de petróleo e gás natural, 72% no processamento e no refinamento de petróleo e 42% na fundição e prensagem de metais ferrosos (ferro e aço), 45% na manufatura de equipamentos de transporte e 92% na produção e abastecimento de energia elétrica. [13] [Ver aqui a lista das 500 maiores companhias chinesas em 2010. N. do T.]

Apesar de agora os trabalhadores do setor estatal representarem apenas cerca de 20% dos empregados do setor industrial, seu número bruto é de cerca de 20 milhões e estão concentrados nos setores energéticos e da indústria pesada, que têm uma importância estratégica para a economia capitalista chinesa. Num futuro surto de lutas da classe trabalhadora chinesa, os trabalhadores do setor estatal, através de seu controle dos setores chaves da indústria, poderão exercer um poder econômico e político desproporcionadamente elevado.

Acima de tudo, os trabalhadores do setor estatal chinês podem se beneficiar com sua experiência política e histórica únicas. Com a ajuda de intelectuais revolucionários socialistas, eles podem emergir como liderança de toda a classe trabalhadora chinesa e dar aos futuros movimentos uma clara orientação revolucionária socialista.

A ilegitimidade da riqueza capitalista chinesa

Após três décadas de transição para o capitalismo, a China foi deixou de ser um dos países economicamente mais igualitários e transformou-se num dos países com maiores desigualdades. De acordo com o Banco Mundial, em 2005, os 10% de famílias mais ricas possuíam 31% da renda total da China, enquanto as 10% mais pobres possuíam apenas 2% da renda total. [14]

A desigualdade de fortunas é ainda mais escandalosa. De acordo com o ““World Wealth Report” de 2006, os 0.4% de famílias mais ricas controlam 70% da riqueza nacional da China. Em 2006 existiam cerca de 3.200 pessoas cujos bens particulares atingiam um valor superior a 100 milhões de yuans (equivalentes a cerca de 15 milhões de dólares norte-americanos). Destes 3.200, cerca de 2.900, ou seja, 90%, são filhos de funcionários superiores do governo ou do Partido. A sua fortuna conjunta é estimadas em 20 trilhões [biliões] de yuans - correspondentes aproximadamente ao PIB chinês em 2006. [15]

Devido às origens da classe capitalista chinesa, uma grande parte da sua riqueza resultou do saque dos bens estatais e coletivos acumulados na era socialista. A generalidade da população considera habitualmente essa riqueza como ilegítima. Segundo uma estimativa, durante o processo de privatização e liberalização do mercado, bens estatais e coletivos num montante de cerca de 30 trilhões [biliões] de yuans foram transferidos para capitalistas que beneficiavam de ligações íntimas com o governo. [16] Um relatório recente descobriu que em 2008 a chamada “renda cinza” [a “renda cinza” é a parte da renda da população urbana que escapa ao controle e fiscalização do Estado. Nota do Passa Palavra] totalizou 5.4 trilhões de yuans, equivalentes a 18% do PIB da China. Os autores do relatório consideram que a maior parte da “renda cinza” resulta de corrupção e roubo dos ativos públicos. [17]

Diz-se que Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, é um dos primeiros-ministros mais ricos do mundo. Seu filho é o proprietário da maior empresa de capital privado. Sua esposa está à frente da indústria de joias chinesa. Calcula-se que a família Wen tenha acumulado uma fortuna de 30 bilhões [milhares de milhões] de yuans (cerca de 4,3 bilhões de dólares americanos). Calcula-se que Jiang Zemin (ex-presidente e secretário-geral do Partido) possua uma fortuna de 7 bilhões de yuans e que Zhu Rongji (ex-primeiro-ministro) possua 5 bilhões de yuans. [18]

A corrupção disseminada por todo o lado não só prejudicou seriamente a legitimidade do capitalismo chinês, mas também prejudicou a capacidade da classe dominante para agir segundo o seu próprio interesse de classe. Sun Liping, um proeminente sociólogo acadêmico, observou recentemente que “a sociedade chinesa está se deteriorando em ritmo acelerado”. De acordo com Sun, os membros das elites dominantes da China estão sendo guiados exclusivamente por seus interesses pessoais a curto prazo, o que significa que ninguém se preocupa com os interesses a longo prazo do capitalismo chinês. A corrupção está “fora de controle” e se tornou “ingovernável”. [19]

A proletarização da pequena burguesia

Nas décadas de 1980 e 90, a pequena burguesia (trabalhadores especializados e técnicos) constituiu uma base social importante da política pró-capitalista de “reforma e abertura”. No entanto, o rápido crescimento atual da desigualdade capitalista levou não só ao empobrecimento de centenas de milhões de trabalhadores, mas também destruiu os “sonhos de classe média” de muitas pessoas da pequena burguesia.

Segundo as estatísticas oficiais, cerca de um quarto dos chineses que concluíram a faculdade em 2010 estão desempregados. Dos estudantes que se graduaram no ano anterior, cerca de 15% continuam desempregados. Quanto aos possuidores de graduação universitária considerados “empregados”, frequentemente têm de aceitar salários que não são superiores aos da mão de obra migrante não qualificada. Cerca de um milhão de graduados (em comparação com a atual graduação anual de cerca de seis milhões) são conhecidos como “tribos de formigas”. Ou seja, vivem em condições similares a favelas nas periferias das grande cidades chinesas. [20] O aumento dos custos de moradia, saúde e educação tem comprometido ainda mais o estatuto econômico e social da pequena burguesia chinesa existente ou potencial, obrigando-a a deixar de aspirar aos padrões de vida de “classe média”.

Um licenciado universitário colocou na Internet o que pensava de sua “vida miserável”. [21] Depois de anos de trabalho, percebeu que não pode comprar um apartamento ou casar e ter um filho. O jovem pergunta a si mesmo:

Por que eu preciso ter uma namorada? Por que eu preciso ter um filho? Por que eu preciso me importar com meus pais? Vamos mudar nossa maneira de pensar. Se não nos importarmos com nossos pais, não nos casarmos, não tivermos filhos, não precisarmos comprar apartamento, não precisarmos pegar ônibus, nunca ficarmos doentes, nunca nos formos divertir, nunca comprarmos uma refeição, descobriremos o segredo da vida feliz! A sociedade está nos deixando loucos. Não podemos satisfazer as simples necessidades básicas. Será que estamos errados? Queremos apenas sobreviver. [22]

À medida que cada vez mais pessoas da pequena burguesia sofrem a proletarização das suas condições econômicas e sociais, um número crescente de jovens tem se radicalizado politicamente.

Na década de 1990, a esquerda política praticamente não existia na China. Mas durante a primeira década deste século a esquerda chinesa aumentou muito. Três sites de esquerda, Wu You Zhi Xiang (A Utopia), Bandeira de Mao Tsé-tung e Rede dos Trabalhadores Chineses, adquiriram uma influência nacional. Alguns sites que seguem a linha dominante, como o Fórum de Fortalecimento do País, um site noticioso ligado ao jornal oficial do Partido, Diário do Povo, têm sido dominado por postagens de tendência política esquerdista.

Nos dias 9 de setembro e 26 de dezembro de 2010 trabalhadores de centenas de cidades e estudantes de cerca de oitenta universidades e instituições de ensino superior em toda a China organizaram encontros de massa espontâneos para celebrar Mao Tsé-tung, muitas vezes enfrentando a oposição e a repressão dos governos locais. No Ano Novo chinês de 2011 (9 de fevereiro), aproximadamente setecentas mil pessoas visitaram e homenagearam a localidade onde Mao nasceu, Shaoshan, na província de Hunan. [23] Dado o atual contexto político da China, celebrações espontâneas de Mao Tsé-tung converteram-se, na prática, em protestos anticapitalistas de massa.

O limite do capital é o próprio capital

O modelo chinês de acumulação de capital tem se baseado em um conjunto de fatores históricos particulares: a exploração desumana de uma enorme força de trabalho barata; a exploração massiva dos recursos naturais, com a consequente degradação ambiental; e um modelo de crescimento dependente do aumento das exportações para os mercados dos países capitalistas centrais. Nenhum destes fatores é sustentável a longo prazo.

Como as economias estadunidense e europeia lutam contra a estagnação e enfrentam o possível acréscimo das crises no futuro, a China já não pode contar com as exportações como motor de sua expansão econômica. Além do que, é geralmente aceite que os investimentos excessivamente elevados levaram a China a um excesso massivo de capacidades de produção e contribuíram para uma procura insustentável de energia e recursos naturais. A queda da taxa de lucro do capital pode acabar por levar ao colapso do investimento e a uma crise econômica grave. Assim, a economia capitalista chinesa necessita de se “reequilibrar” através da promoção do consumo interno. [24] Mas como pode ser alcançado este objetivo sem comprometer os interesses básicos da classe capitalista chinesa?

Atualmente, o consumo familiar representa cerca de 40% do PIB da China, o consumo governamental representa cerca de 10%, o superávit comercial representa 5% e os investimentos representam cerca de 45%. Os salários dos trabalhadores e a renda dos camponeses somam cerca de 40% do PIB. Assim, a renda da classe trabalhadora corresponde aproximadamente ao consumo familiar total. [25] Se o investimento governamental for considerado como fazendo parte do lucro bruto capitalista, então o lucro bruto capitalista (que é igual ao PIB, menos os salários e o consumo do governo) é aproximadamente 50% do PIB. Subtraída a depreciação do capital fixo, o lucro capitalista líquido representa aproximadamente 35% do PIB. Este lucro capitalista muito elevado (ou taxa de mais-valia muito elevada) é a base político-econômica da rápida acumulação de capital da China.

Ora, suponhamos que a China precise de se reequilibrar em direção a uma economia movida pelo consumo. A Tabela 1 apresenta cenários alternativos de um possível “reequilíbrio” do capitalismo chinês. Cada cenário harmoniza-se com um determinado conjunto de condições necessárias para estabilizar a economia capitalista (com uma taxa de lucro estável e não declinante). Por exemplo, se a taxa de crescimento econômico da China caísse para 7% ao ano, então, para estabilizar a taxa capital/produção, os investimentos precisariam baixar para 36% do PIB (arredondados para 35% na Tabela 1). Considerando que os principais mercados de exportação da China (os Estados Unidos e a União Europeia) provavelmente estagnarão no futuro, enquanto as importações de energia e matérias-primas pela China continuarão a crescer, presume-se que o balanço comercial da China volte ao equilíbrio. De onde se conclui que a soma do consumo familiar (salários) e do consumo governamental precisa de subir para cerca de 65% do PIB. O lucro bruto precisa de descer para 35% do PIB e o lucro líquido, para 20% do PIB. [26]

Tabela 1. Cenários alternativos do reequilíbrio da economia chinesa

Taxa de crescimento econômico

0%

7%

5%

3%

0%

Relação Capital/Produto

3

3

3

3

3

Relação Investimento/PIB

45%

35%

30%

25%

15%

Balança Comercial (% do PIB)

5%

0%

0%

0%

0%

Depreciação (% do PIB) (*)

15%

15%

15%

15%

15%

Lucro bruto (% do PIB)

50%

35%

30%

25%

15%

Lucro líquido (% do PIB)

35%

20%

15%

10%

0%

(*) Assume-se que a taxa de depreciação seja de 5%. Assim, se a taxa capital/produção for 3/1, a depreciação será equivalente a 15% do PIB.

Portanto, neste exemplo, é necessário redistribuir cerca de 15% do PIB do lucro dos capitalistas para o salário dos trabalhadores ou despesas sociais. Como poderá ser realizada uma redistribuição de tamanhas proporções, mesmo em condições políticas ideais? Que setor da classe capitalista irá sacrificar seus interesses próprios em prol dos interesses coletivos da classe? Dada a natureza corrupta e ilegítima da riqueza capitalista chinesa, surge também a questão de saber como pode ser implementado o interesse coletivo da classe capitalista, mesmo se as lideranças do Partido Comunista decidirem promover o interesse coletivo capitalista. Por definição, os rendimentos e as fortunas de origem corrupta não estão sujeitas a tributação.

Em um aspecto o contexto histórico atual é fundamentalmente diferente de qualquer momento anterior na história capitalista. Após séculos de uma acumulação capitalista implacável, o sistema ecológico global está à beira do colapso e a crescente crise ecológica global ameaça destruir a civilização humana no século XXI. Sendo a maior consumidora mundial de energia e a maior emissora de dióxido de carbono, a China está agora precisamente no centro das contradições ecológicas globais.

A China usa o carvão para cerca de 75% de seu consumo energético. De 1979 até 2009, o consumo de carvão na China cresceu a uma taxa anual de 5,3% e a economia chinesa cresceu a uma taxa anual de 10% (mas na última década, de 1999 a 2009, o consumo de carvão na China acelerou-se para 8,9% por ano). Usando generosamente um cálculo pouco sofisticado, calcula-se que a futura taxa de crescimento econômico da China seja equivalente à taxa de crescimento da futura produção de carvão acrescida de mais 5%. [27] Segundo fontes governamentais chinesas, o país tem reservas de carvão de cerca de 190 bilhões [milhares de milhões] de toneladas métricas. O Quadro 1 compara a produção histórica de carvão na China com sua produção futura projetada, admitindo que o carvão recuperável remanescente seja idêntico à reserva oficial. [28]

Quadro 1. Produção de carvão chinesa (histórica e projetada, em milhões de toneladas métricas, 1950-2050)

Fonte: A informação sobre a produção histórica de carvão da China é de Dave Rutledge, “Hubbert's Peal, the Coal Question, and Climate Change”, The Excel Workbook (2007), http://rutledge.caltech.edu ; os dados foram atualizados de acordo com BP, Statistical Review of World Energy, http://bp.com ; as projeções futuras baseiam-se em cálculos do autor.

Segundo as projeções, a produção de carvão chinesa atingirá o pico em 2026 com um nível de produção de 4,7 bilhões [milhares de milhões] de toneladas métricas. Calcula-se que a taxa de crescimento da produção de carvão decline para 3,5% em 2009-2020; 0,4% em 2020-2030; -2,5% em 2030-2040; e -4,8% em 2040-2050. Isto implica que a taxa de crescimento econômico deverá ser de 8,5% na década de 2010; 5,5% na de 2020; 2,5% na de 2030; e 0% na de 2040.

Assim, na década de 2020 a economia capitalista chinesa precisá de realizar uma redistribuição de renda no montante de 20% do PIB, dos lucros líquidos para os salários, se quiser manter uma economia capitalista estável (ver Tabela 1). Na década de 2030 o lucro líquido capitalista terá de cair abaixo de 10% do PIB e em seguida não há praticamente mais espaço para a redistribuição de renda.

A crise energética iminente é apenas uma entre as muitas contradições ecológicas que a China enfrenta. Segundo Charting Our Water Future (Traçando o Futuro de Nossa Água), calcula-se que a China tenha um déficit de água de 25% até 2030, já que o aumento das necessidades da agricultura, da indústria e das cidades sobrecarregará os limitados recursos hídricos. [29] Se não se puser fim à atual tendência de erosão do solo na China, o país poderá sofrer um déficit alimentar de 14% a 18% em 2030-2050. Como resultado das mudanças climáticas e do declínio da disponibilidade de recursos hídricos, a produção chinesa de cereais pode cair entre 9% e 18% na década de 2040. [30]

A vitória do proletariado?

A humanidade está agora em uma encruzilhada crítica. O prosseguimento do sistema capitalista mundial provocará não só o empobrecimento definitivo de bilhões [milhares de milhões] de pessoas, mas é praticamente certo que leve também à destruição da civilização humana. Isto confere urgência a uma questão histórica mundial: com que força poderá a humanidade contar para prosseguir a revolução global do século XXI e, portanto, o socialismo e a sustentabilidade ecológica?

Marx esperava que o proletariado desempenhasse o papel de coveiro do capitalismo. No atual curso da história mundial, as classes capitalistas ocidentais conseguiram responder aos desafios das classes trabalhadoras através de reformas sociais limitadas. As classes capitalistas do centro chegaram a este compromisso temporário sobre a base da superexploração das classes trabalhadoras da periferia e da exploração massiva dos recursos naturais e ambientais do mundo. Ambas estas condições, por agora, chegaram ao fim. Na próxima década ou nas duas próximas décadas, as classes trabalhadoras proletarizadas podem, pela primeira vez, se tornar a maioria da população mundial. Com a proletarização massiva da Ásia, as condições históricas mundiais estão se aproximando daquilo que, de acordo com Marx, irá levar à vitória do proletariado e à queda da burguesia.

Sendo a maior produtora manufatureira e consumidora enérgica, a China está cada vez mais no centro das contradições do capitalismo. A análise acima sugere que provavelmente, após o ano de 2020, as crises econômica, política, social e ambiental convergirão na China.

Dado o legado da revolução chinesa, é possível que as condições históricas subjetivas na China favoreçam uma solução revolucionária socialista para suas contradições. A classe trabalhadora do setor estatal, que é influenciada por uma consciência socialista, pode potencialmente se apoderar dos setores chave da economia chinesa e desempenhar um papel dirigente na próxima luta revolucionária. Pode ser formada uma ampla aliança de classes revolucionária entre os trabalhadores do setor estatal, os trabalhadores imigrantes e a pequena burguesia proletarizada.

Devido à posição central da China no sistema capitalista global, é impossível exagerar o significado de uma revolução socialista vitoriosa na China. Ela iria quebrar todas as cadeias de commodities do capitalismo global. Isto iria modificar decisivamente a balança global de poder em favor do proletariado mundial. Iria abrir o caminho da revolução socialista global do século XXI e aumentar enormemente a possibilidade de que a próxima crise global seja resolvida de modo a preservar a civilização humana.

A história decidirá se o proletariado da China e do mundo está à altura de suas tarefas revolucionárias.

Minq Li (minq.li@economics.utah.edu) leciona Economia na Universidade de Utah, Salt Lake City, desde 2006. Foi prisioneiro político na China de 1990 a 1992. Seu livro, The Rise of China and the Demise of the Capitalist World Economy, foi publicado pela Pluto Press e pela Monthly Review Press em 2009.

Notas

Alguns dos links abaixo estão quebrados por terem os sites ficado fora de ar. Para os leitores interessados na obtenção de quaisquer materiais, por favor, contate o autor.

[1] Acerca das contradições de classe sob o regime socialista e o impacto favorável da tigela de arroz generalizada no poder da classe operária, ver Minqi Li, The Rise of China and the Demise of the Capitalist World Economy (Londres: Pluto Press; Nova Iorque: Monthly Review Press, 2008), 50-59.

[2] National Bureau of Statistics, the People’s Republic of China, Statistical Year Book of China 2009, http://stats.gov.cn.

[3] Ver Research Group of the Chinese Academy of Social Sciences, “A Research Report on the Current Structure of Social Strata in China,”, em Social Blue Book 2002: Analyses and Predictions of China’s Social Conditions, org. Ru Xin, Lu Xueyi e Li Peilin (Beijing: Social Sciences Literature Press, 2002), 115-132.

[4] Li, ibid., 89, 108.

[5] Sobre as condições de trabalho na China ver Dale Wen, “China Copes with Globalization,” relatório do International Forum on Globalization (2005), http://ifg.org; Martin Hart-Landsberg, “The Chinese Reform Experience: A Critical Assessment,” Review of Radical Political Economics, publicado on-line antes da publicação impressa, 28 de setembro de 2010.

[6] Para um resumo das descrições da mídia chinesa acerca da “segunda geração de trabalhadores migrantes” ver a entrada Xinshengdai Nongmingong ou “A New Generation of Migrant Workers” pela enciclopédia online Baidu, http://baike.baidu.com.

[7] John Chan, “Honda Rocked by Further Strikes in China,” The World Socialist Website, 10 de junho de 2010, http://wsws.org.

[8] Para as estatísticas sobre os empregos não rurais ver World Bank, World Development Indicators, http://databank.worldbank.org.

[9] Em outubro de 2010 o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao pediu por uma “reforma política”, quando foi entrevistado pela rede estadunidense de televisão CNN. Ver Jonathan Fenby, “Political Reform Is China’s Fatal Flaw”, Financial Times, 15 de outubro de 2010.

[10] Zhang Yaozu, “The Evolution and Development of the Working Class Over the Six Decades of New China”, maio de 2010, http://zggr.net.

[11] Zhong Qinan, “The Class Experience of the Chongqing Kangmingsi Workers’ Struggle to Defend Their Proper Rights”, maio de 2010, http://zggr.net.

[12] Pei Haide, “A Study of Two Cases of Struggle by the Urban Traditional Workers”, maio de 2010, http://zggr.net.

[13] National Bureau of Statistics; ibid.

[14] Outro indicador usado correntemente para medir a desigualdade social é o coeficiente de Gini. Se o coeficiente de Gini for igual a 100, indica a desigualdade completa; se for igual a 0, indica igualdade completa. Segundo dados do World Bank, o coeficiente de Gini da China em 2005 foi de 41,5, comparado com 40,8 nos Estados Unidos (em 2000) e 36,8 na Índia (em 2005). Ver World Bank, ibid.

[15] Yuzhi Zhang e Zhongfu Jiang, “The Domestic Governance Countermeasure in Order to Enhance Soft Power of China Communist Party”, International Journal of Business and Management 5, no. 7 (julho de 2010): 170-74, http://ccsenet.org.

[16] Qi Zhongfeng, “Economic Estimations of the Size of Rent-Seeking in the Period of Market Transition”, Commercial Times, 2006 (21), http://cnmoker.org. *

[17] Wang Xiaolu, “Grey Income and National Income Distribution”, agosto dwe 2010, http://view.news.qq.com.

[18] Anônimo, “China’s Top Ten Families”, setembro de 2010, http://hua-yue.net.

[19] Sun Liping, “The Chinese Society Is Decaying at an Accelerating Rate”, fevereiro de 2011, http://hua-yue.net.

[20] Zac Hambides, “China’s Growing Army of Unemployed Graduates”, The World Socialist Website, 4 de outubro de 2010, http://wsws.org.

[21] Um graduado pelo ensino superior pretende ter uma renda anual de 50.000 yuans, após taxas e descontos. Em comparação, em 2008, o salário médio anual, antes de descontados os impostos, dos empregados do setor formal era de cerca de 29.000 yuans. Ver National Bureau of Statistics, ibid.

[22] Anônimo, “A College Graduate’s Perspective: I Can Barely Survive—The Miserable Life with a Monthly Salary of 4,000 Yuan”, Março 2008, http://bbs1.people.com.

[23] Mao Tsé-tung nasceu em 26 de dezembro de 1883, e morreu em 9 de setembro de 1976. Ver Lao Shi, “People Commemorate the 117th Anniversary of Mao Zedong’s Birth Throughout the Country,” fevereiro de 2001, http://wyzxsx.com; Xu Rong e Zuo Yuanyuan, “Mao Zedong‘s Hometown Becomes the Tourists’ Favorite—680,000 People Visited Shaoshan During the New Year,” fevereiro 2011, http://redchinacn.com.

[24] Ver Martin Wolf, “How China Must Change If It Is to Sustain Its Ascent”, Financial Times, 22 de setembro de 2010, 11.

[25] É claro que as famílias da classe trabalhadora poupam uma parte de sua renda. Por outro lado, os capitalistas também consomem. Em um nível macroeconômico, as poupanças da classe trabalhadora são mais ou menos compensadas pelo consumo dos capitalistas.

[26] Para ver por que uma taxa investimento/PIB de 36% é necessária para estabilizar a economia capitalista, considere que se uma taxa de investimento for superior a 36%, então o investimento líquido medido como taxa do PIB será maior do que 21% (após descontada a depreciação). Como a taxa inicial capital/produção é estabelecida em 3/1, se o investimento líquido for superior a 21% do PIB, o estoque [stock] de capital crescerá a mais de 7% (7=21/3), isto é, mais rápido do que o PIB. Isto implica que aumente a taxa capital/produto ou que diminua a taxa de lucro do capital.

[27] Este cálculo grosseiro pressupõe uma melhoria muito rápida de eficiência energética e a substituição do carvão por outras fontes de energia, o que pode não se concretizar. É possível que no futuro a melhoria da eficiência energética e a substituição de fontes de energia sejam um tanto aceleradas. Mas a produção mundial de petróleo atingirá decerto seu máximo em um futuro próximo. Isso reduzirá o consumo petrolífero da China e imporá um limite adicional ao crescimento econômico chinês.

[28] Se o carvão recuperável remanescente na China se revelar significativamente maior do que sua reserva oficial, então as emissões adicionais de dióxido de carbono resultantes da queima do carvão tornarão qualquer estabilização razoável do clima praticamente impossível.

[29] International Finance Corporation, et al., Charting Our Water Future, Executive Summary, 2009, http://mckinsey.com.

[30] Liming Ye, Jun Yang, Ann Verdoodt, Rachid Moussadek e Eric Van Ranst, “China’s Food Security Threatened by Soil Degradation and Biofuels Production,” 1-6 de agosto de 2010, comunicação apresentada no 19º Congresso Mundial de Ciências do Solo, Brisbane, Austrália; The Chinese Academy of Agricultural Sciences, “Impact of Climate Change on Chinese Agriculture,” 2010, http://china-climate-adapt.org.

Original http://monthlyreview.org/2011/06/01/the-rise-of-the-working-class-and-the-future-of-the-chinese-revolution

Tradução de E. R. Saracino
Supervisão e edição de Lucas Morais

Fonte: http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=21837:a-ascensao-da-classe-trabalhadora-e-o-futuro-da-revolucao-chinesa&catid=262:batalha-de-ideias&Itemid=131